História da quinta-feira da espiga

Esta celebração ocorre no dia da Quinta-feira da Ascenção. Este festejo teve origem em Jerusalém e de início era celebrado no mesmo dia do Pentecostes – servia para festejar a Ascensão de Jesus ao Céu – não só em espírito, mas também em corpo e alma, na cidade de Betânia na presença dos seus Apóstolos, depois de os ter abençoado (quarenta dias após a sua Ressurreição).

Este dia está associado aos festivais agrícolas das celebrações da Primavera, em que com cantares e danças se comemorava o fim do Inverno e o renascimento da vida vegetal e animal, pedindo-se a bênção dos deuses para as novas colheitas.

A partir do sec. IV, a Quinta-Feira da Ascenção começou a ser celebrado como um dia especial –  com direito a procissões e a bênção dos campos e dos primeiros frutos que o povo levava como oferta.  Desta maneira conseguiu-se que o ritual pagão do Dia da Espiga ficasse para sempre ligado à festa religiosa da Ascensão.

Segundo a tradição portuguesa este dia era considerado feriado ou Dia Santo. Era celebrado com passeios pelo campo, bailaricos, cantorias e merendas, aproveitando-se para se colher a espiga. Esta seria depois pendurada atrás da porta, até à sua renovação no ano seguinte, para que nunca faltasse o pão em casa!

 

Pendurar a espiga atrás da porta

 

espiga devia ser colocada por detrás da porta da entrada de casa, para trazer saúde, sorte, alegria, abundância e para que nunca faltasse pão em casa. O ramo só devia ser substituído, por um novo, no dia da espiga do ano seguinte.

 

Espiga antiga e espiga nova

 

Este dia também conhecido como o “dia da hora”  – era um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado por dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava…:

“as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam”.

…era exactamente a essa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga.

Dia da espiga

Segundo a sabedoria e costume popular, em dias de trovoada queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os trovões.

O valor simbólico das plantas que compõem a espiga seguem um ritual de fertilidade onde tudo o que está presente no ramo tem o seu valor simbólico profano e religioso. Este simbolismo varia de região para região.

 

Composição da espiga e os seus significados

 

  • espigas de trigo (em número ímpar) – simbolizam o pão;
  • 1 ramo de oliveira – simboliza o azeite: a luz, o divino e a paz;
  • 1 ramo de videira  – simboliza a alegria e o vinho;
  • malmequer – simboliza o ouro e a prata;
  • papoilas – simbolizam o amor e a vida;
  • alecrim – simboliza força e saúde.

 

Associado a este dia também há o seguinte provérbio:

“Se chover em quinta-feira de Ascensão, as pedrinhas darão pão.
O vento que soprar em quinta-feira de Ascensão soprará todo o Verão.”

Festa da espiga em Loulé

Em 1952 a Igreja teve de prescindir de alguns feriados – um deles a festa da Ascenção. A abolição deste feriado foi motivo de polémica. Muitos concelhos portugueses, pouco dispostos a prescindir deste dia especial, adoptaram-no como feriado municipal. Esta é um dos muitos exemplos de que a salvaguarda das tradições do nosso país pertencem às Câmaras Municipais.

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Escrito por A Senhora do Monte

Uma homenagem ao Portugal das tradições, dos saberes e dos sabores.