Conhece a concha de São Martinho do Porto?

São Martinho do Porto, conhecido como a “concha do Oeste“, é uma freguesia portuguesa do concelho de Alcobaça.

A região constituída pela serra da Pescaria e pela serra do Bouro constituiu, em tempos geológicos, uma única ilha. Tendo esta se dividido, deu origem à maravilhosa baía de São Martinho do Porto.  A baía está apenas ligada ao mar por uma abertura de poucos metros, daí que as águas sejam tranquilas.

 

Praia de São Martinho do Porto

 

É, sem dúvida, uma das mais belas praias do país – uma baía em forma de vieira, de águas calmas e areias brancas e finas.

A praia de São Martinho do Porto é constituída por uma acumulação de areias finas com origem nas linhas de água e nas correntes marinhas que circulam e transportam grandes quantidades de material arenoso ao longo da costa e que, por acção das marés, são parcialmente desviadas para o interior da Concha.

 

Concha de São Martinho do Porto

 

Estas areias que se dispõem ao longo da praia mantêm uma estreita relação com o sistema dunar, efectuando trocas entre si e assegurando o equilíbrio desta primeira barreira de defesa da costa. Nas alturas em que o vento permite, as dunas frontais são robustecidas pelas areias transferidas da praia , enquanto que nos períodos de temporal, em que o mar “rouba” areia à praia, a duna funciona como um fornecedor de sedimentos que minimiza o fenómeno natural de erosão.

 

História

A povoação é mencionada, pela primeira vez em 1257, numa Carta de Foral  passada por Frei Estevão Martins (12o abade do Mosteiro de Alcobaça).

A baía foi porto de mar dos coutos de Alcobaça, onde se desenvolviam actividades ligadas à pesca e à construção naval. Tornou-se vila e sede de concelho até 1855.

Em 1839 foram-lhe anexadas as freguesias de Alfeizerão, Salir do Porto e Serra do Bouro.

 

Bidé das marquesas

 

Por volta do ano 1885, dado o desenvolvimento local e a construção do cais, o bairro da praia passou a lembrar uma segunda vila. Tornou-se então numa estância balnear frequentada pela nobreza e pela burguesia, desde o final do século XIX, ficando conhecida como o “bidé das marquesas“.

 

Pontos de interesse:

  • Túnel – A contemplação dos lados opostos do túnel proporciona uma experiência sublime. De um lado, as águas calmas da Baía, do outro as águas agitadas do oceano Atlântico que batem com violência nas rochas;

 

Túnel de São Martinho do Porto

 

  • Ruínas (Salir do Porto) – Ruínas da Alfândega artesanal onde foram construídas as caravelas que participaram nas descobertas e conquistas, nos reinados de D. Afonso V e D. João II. Aqui foram também construídos parte dos navios que levaram D. Sebastião a Alcácer Quibir;

 

ruinas-de-salir-do-porto

 

  • Miradouro – Localizado no morro de Santo António, oferece uma vista privilegiada para a baía;

 

  • Duna (Salir do Porto) – Em tempos a maior da Europa, a Duna de Salir sobressai na paisagem dunar da Baía de São Martinho, com uma altitude de aproximadamente 50m e 200m de comprimento. O núcleo da Duna é constituído em parte por um arenito vermelho, vestígio de uma duna mais antiga – duna fóssil;

 

duna-de-salir-do-porto

 

  • Miradouro do Largo José Bento da Silva – Vista privilegiada sobre a baía e acesso directo ao ascensor do Outeiro;

 

  • Pocinha (Salir do Porto) – A Pocinha de Salir é uma nascente de água doce que nasce junto ao Oceano. Crê-se que seja uma água milagrosa para inúmeras enfermidades. Diz-se que esta água possui propriedades benéficas para problemas de pele.

 

Pocinha - Salir do Porto

 

 

 

Importância das zonas húmidas:

As zonas húmidas constituem uma importante componente da história da concha de São Martinho. A baía é hoje uma memória da grande lagoa costeira da lagoa de Alfeizerão, que dominou a paisagem deste local até ao séc. XVI. Na baía desagua o rio Tornada, um dos principais rios do Oeste, nas margens e foz do qual se observam habitats ribeirinhos, como galerias ripículas e sapais. Nas depressões dunares, onde a humidade edáfica é elevada, ocorrem juncais.

 

São Martinho do Porto

 

Benefícios das zonas húmidas:

  • participam no ciclo hidrológico, nomeadamente no controlo de cheias e de inundações;
  • constituem zonas de recarga de aquíferos e de purificação de águas doces;
  • são o habitat de sobrevivência e reprodução de muitas espécies, em particular de avifauna aquática;
  • são refugios de biodiversidade;
  • constituem locais de elevado valor económico, cultural, científico e recreativo.

 

A foz do rio Tornada e as suas galerias ripícolas:

A foz do rio Tornada é caracterizada pela mistura de águas doce e salgada, aspecto que condiciona as comunidades vegetais e animais que a habitam.

As galerias ripículas que marginam a foz do rio Tornada, apresentam um relativo bom estado de conservação, sendo estruturadas por uma espécie dominante – a tamargueira (Tamarix africana).

No estrato arbustivo dos corredores ripários , ocorrem algumas outras espécies típicas das zonas de transição entre os meios marinhos e dulciaquícolas, como seja, o junco marítimo (Scirpus maritimus), o caniço (Phragmites australis) e as tábulas (Typha sp.).

 

Tamargueira

 

 

Os sapais:

Os estuários apresentam tipicamente faixas marginais de transição, de extensão variável, constituídas por lodos ou areias e estando sujeitas ao regime das marés, os sapais. Devido ao forte assoreamento da baía de São Martinho, estes habitats estão mal representados no estuário do rio Tornada, estando reduzidos a manchas fragmentadas , na foz do rio.

 

Sapal - Salir do Porto

 

 

Os juncais nas depressões dunares:

As depressões dunares são, por vezes, colonizadas por formações vegetais higrofílicas, que se instalam em locais com elevada disponibilidade de água ou de humidade edáfica. E como surgem estas comunidades vegetais no seio das dunas, um meio altamente permeável e pobre em água doce?

A matéria orgânica proveniente da decomposição da vegetação dunar e de outros organismos e materiais das dunas, deposita-se nestas depressões, gerando uma maior capacidade de retenção de água nestes locais.

As depressões dunares são colonizadas por uma vegetação arbustiva ou subarbustiva característica. Exemplos: salgueiro anão (Salix arenaria), diversas espécies de juncos, nomeadamente Juncus acutus, a tábua-larga (Typha latifolia), entre outros.

 

Tábua-larga

 

 

Assoreamento das zonas húmidas e a sua recuperação:

O assoreamento da baía de São Martinho, devido à deposição de sedimentos, tanto provenientes do trânsito marinho, como provenientes do rio Tornada, tem conduzido ao desaparecimento das zonas húmidas neste local. O desaparecimento destes habitats, apesar de ser natural, representa uma perda significativa de habitats e espécies para a baía de São Martinho.

 

Planta da concha de São Martinho

 

A concha de São Martinho é, como sempre foi, das pessoas. Pertence ao coração de cada um dos residentes de São Martinho e faz parte da sua história e família. Também fica no coração e na memória de todos aqueles que a visitam.

Disfrute deste lugar magnífico como se fosse seu!

Escrito por A Senhora do Monte

Uma homenagem ao Portugal das tradições, dos saberes e dos sabores.