Já ouviu falar na Subida da Vezeira?

Sabia que o gado de Vilar da Veiga e de Rio Caldo, em Terras de Bouro, vai de férias de verão todos os anos até setembro? Estas freguesias fazem a transumância do gado bovino, para as melhores pastagens no alto da Serra do Gerês.

Esta tradição iniciou-se em 1802 devido à necessidade de guardar o gado “à vez” e mantê-lo durante a época de verão (período no qual a actividade agrícola se intensifica) demonstrando a entreajuda da população.

Transumância do gado

No dia da Subida da Vezeira, mais de 100 animais, atravessam a vila do Gerês a caminho da serra recriando uma prática comunitária que ascende ao início do século XIX.

Normalmente a época das vezeiras começa a 15 de Maio e termina a 15 de Setembro. De acordo com o número de animais de cada um, o pastor é responsável por subir para guardar todos os animais na proporção de 2:1, ou seja, por cada duas cabeças de gado o proprietário tem de guardar o gado de toda a comunidade durante um dia, passando a vez ao seu vizinho, e assim a ordem de guardar o gado percorre todos os sócios da vezeira.

Transumância

Na serra, e até ao final do verão, os animais vão andar de curral em curral, sempre à procura dos melhores pastos. Em cada curral haverá um abrigo para o pastor, que por lá poderá cozinhar à lareira, descansar e pernoitar.

São propriedade desta organização um conjunto de currais (prados), situados em diferentes altitudes e por onde o gado vai passando, assim como o boi de cobrição.

O grande objetivo é aproveitar a “muita pastagem” que a serra oferece durante o verão –  desta forma os pastores poupam dinheiro na alimentação dos animais. Obviamente que se corre sempre o risco de alguma cabeça de gado se perder ou ser atacada por algum lobo – situações que por vezes acontecem. Caso isso aconteça, todos os pastores que fazem parte da vezeira contribuem com uma determinada quantia para pagar ao dono o prejuízo decorrente do desaparecimento ou da morte do animal.

As vezeiras são práticas comunitárias de pastoreio do gado, em que cada pastor guarda à vez o rebanho de toda a aldeia. Este costume demonstra a vivência comunitária, muito solidária e muito unida!

Lobo ibérico

A Vezeira tem escritura pública datada de 1962 e estatutos próprios. A direção é constituída por um juiz, um secretário, um tesoureiro, um procurador e três louvados.

Estes cargos, anuais, são definidos por nomeação direta com a excepção do Juiz, que é promovido automaticamente do cargo de procurador. Estes cargos são definidos em reuniões periódicas denominadas “Chamados“, nos quais são debatidos todos os assuntos relativos ao bom funcionamento desta organização.

Existem dois “Chamados” anuais obrigatórios e que não carecem de aviso prévio, um antes da subida do gado, e outro depois da manada descer. A não comparência, a qualquer destas reuniões, é sempre punida com uma multa de 50 euros.

Serra do Gerês - Portela do Homem

Em Seia também se tem este costume. Mais de 1000 ovelhas e cabras provenientes das terras chãs (Santa Comba, Maceira, Folgosa) atravessam o centro da cidade rumo à Serra da Estrela.

Escrito por A Senhora do Monte

Uma homenagem ao Portugal das tradições, dos saberes e dos sabores.