Já ouviu falar em apanha do sargaço?

A apanha do sargaço é uma actividade secular que consiste na apanha de algas do mar para fertilizar os campos agrícolas. Antes do uso intensivo que agora se faz dos adubos químicos, a fertilização das terras era conseguida através de produtos do mar como o sargaço e o pilado.

O sargaço (Sargassum C. Agardh) são algas que, com a agitação das águas, mormente nas marés vivas, se desprendem do fundo do mar e as correntes arrastam para a costa.

Caranguejo pilado

O pilado é um caranguejo que tem a capacidade de “voar” na água, devido ao último par de patas ter uma forma achatada, plana e arredondada no final. Estes eram usados como fertilizantes orgânicos e também para alimentar as populações.

Uns dizem que com a chegada do primeiro adubo industrializado – Nitrato do Chile, a meio do Século XX, esta arte entrou em decadência até aos nossos dias. Outros afirmam que esta actividade vai resistindo à extinção mas que a maioria dos “sargaceiros” são pessoas idosas e é cada vez menor o rendimento auferido.

Em Aver-o-mar e na Apúlia ainda hoje se encontram mulheres metidas na água até à cintura – as sargaceiras. Desde que o estado do mar o permita, mulheres e homens metem-se dentro de água seja  noite ou seja dia.

Apanha do sargaço

Dizem que nesta zona do concelho de Esposende os sargaceiros existem há mais de dois mil anos.

 

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Apanha do sargaço

A apanha do sargaço faz-se entre os meses de Maio e Outubro.

Quando a maré está baixa as ondas praticamente entregam o sargaço à costa. Mas em tempos antigos, quando havia mais sargaceiros, estes possuíam jangadas próprias para apanharem as algas que se encontravam mais afastadas da costa. Essas jangadas eram apelidadas de “cortiços”.

Cortiço - apanha do sargaço

Estes utensílios eram característicos dos sargaceiros de Aver-o-Mar. Noutras localidades, como em Apúlia usavam o mais comum, que seria o ganha-pão.

  • Ganha-pão: longa vara de pau que na sua extremidade possui um aro largo que sustenta um saco feito de rede. O comprimento da vara permite alcançar uma maior área para recolher as algas que flutuam na água.

Quando o saco está cheio, os sargaceiros poem o ganha-pão sobre o ombro, cheio de sargaço molhado e vêm depositá-lo no areal. A seguir voltam novamente a meter-se dentro de água para prosseguir com a apanha.

 

Ganha-pão - apanha do sargaço

 

No areal, as algas são estendidas em camadas, pouco espessas, formando quadriláteros que são chamados de “camas“. Estes devem ficar a secar ao sol durante 3 a 4 dias. Uma vez seco é recolhido e levado para os campos para adubar as terras.

Quando há muita abundância de sargaço e as apanhas correm melhor que o esperado, este é guardado amontoado em círculos sobrepostos. Por cima do sargaço coloca-se palha e um pano oleado para proteger – ficando assim com o aspecto de redondas cabanas africanas.

Caso chova durante o processo de secagem o sargaço fica branco e não pode ser utilizado como fertilizante.

 

Apanha do sargaço - Póvoa de varzim

 

Ainda hoje é possível ver grandes extensões da praia de Aver-o Mar ocupadas com as algas estendidas ao sol.

 

Escrito por A Senhora do Monte

Uma homenagem ao Portugal das tradições, dos saberes e dos sabores.